segunda-feira, 12 de novembro de 2012

PODOLATRIA


Os pés, como as mãos, são táteis e tão sensíveis quanto elas. Do ponto de vista da sexualidade, podemos dizer que o pé nu, seduz. Calçado, intriga. Há pés brincalhões, que se divertem em amassos de glúteos, treinam beliscões, ensaiam acrobacias sensuais, ameaçam penetrações, fazem pose, etc... Maleáveis ou flexíveis, esguios ou gordinhos, que sabem extrair o maior prazer da parte mais extrema de seus corpos, e por isso mesmo, muitas vezes esquecida.

Podemos citar como maior exemplo da atração causada pelos pés a história de um certo príncipe que queria de uma certa Cinderela não só a mão, mas também os pezinhos. Procurou-os, sôfrego, de posse de um de seus sapatinhos. Sem eles, caiu em depressão. Queria o outro pé do sapatinho, queria aqueles pezinhos... Mandou vasculhar o reino até encontrar a dona daquele sapatinho, cujo pé nenhum outro substituiria. Interpretado assim, este conto de fadas revela uma das mais antigas elaborações simbólicas do desejo podofetichista.

Em algumas religiões, o cerimonial de lavar os pés significa purificação, do corpo e do espírito. Em outras, como no cristianismo, é um ato de humildade e resignação. No amor, desde a antiguidade, significa a preparação também do corpo e do espírito para o ato sexual que se seguirá.


Beijar um pé, ou melhor, os dois. Este ato é o símbolo máximo da adoração. Reverência, aquele que se curva e fica de joelhos diante da rainha. Súdito fiel, que aos pés da dona rasteja, implora, deseja. A língua que percorre cada curva do pé e se entrelaça com os dedinhos. Que molha cada parte, sola, peito, calcanhar, dedos. Que leva ao máximo do prazer.

Sudações SM